terça-feira, 28 de março de 2017

Atendendo Por Nos Mesmos (Parte 2)




Preguem para si mesmos os sermões que estudam, antes de pregar a outros.
Tal prática será para seu próprio bem e jamais será trabalho perdido; entretanto, eu falo sobre a responsabilidade ministerial, isto é, que isso seja feito também para o bem da Igreja. Quando suas mentes se acertarem em santificação e paz, suas congregações participarão dos frutos do seu crescimento. Suas orações, seu louvor e doutrina lhes serão como delícias celestiais. Seus ouvintes perceberão que os senhores estiveram com Deus; aquilo que estiver em seus corações estará nos ouvidos deles.

Confesso que digo estas coisas em função de lamentável experiência pessoal, pois eu mesmo exponho ao meu rebanho os destemperos de minha própria alma.

Quando meu coração está frio, minha pregação é fria; quando estou confuso, minha pregação é confusa. Sei também, por intermédio dos melhores de meus ouvintes, que quando minha pregação é fria, eles se esfriam, e as orações que deles ouço são bem parecidas com minha pregação. Somos como amas-de-leite dos pequeninos de Cristo. Se deixarmos de nos alimentar, eles também ficarão famintos, e tal será visto em sua fraqueza e no desempenho dos deveres rotineiros. Se nosso amor diminuir, não seremos capazes de despertar o amor das ovelhas. Se os santos cuidados e temores forem negligenciados, a pregação revelará abatimento; e se tal não for aparente no conteúdo da mensagem, certamente o será no modo de entregá-la e de vivenciá-la. Se nos alimentarmos mal, de erros ou controvérsias infrutíferas, nossos ouvintes também não serão saudáveis. No entanto, se abundarem fé e amor e zelo, tais graças transbordarão e restaurarão nossas congregações.

Portanto, irmãos, cuidem de seus próprios corações, livrando-os de paixões,
desejos malignos e inclinações mundanas; mantenham a vida de fé e amor e zelo; habitem em Deus e com seus ouvintes. Se a tarefa de examinar o próprio coração, de subjugar a corrupção e de andar com Deus, não for uma luta diária, se não for uma obra constante em sua vida, os senhores jamais poderão experimentar a bênção dos céus. Acima de tudo, permaneçam em oração e meditação secreta, de onde vem o fogo celeste que consome os sacrifícios: lembrem-se de não negligenciar o dever para com o próprio coração, ou muitos ouvintes também serão prejudicados. Por amor do seu povo, examinem seus próprios corações. Se uma única centelha de orgulho espiritual lhes sobrevier, fazendo-os cair no perigoso erro de utilizar objetivos e estratégias de suas próprias invenções que desviem os discípulos, os senhores produzirão grandes feridas nas igrejas sob seu cuidado - e serão como pragas em vez de bênçãos. Elas desejarão jamais terem visto seus rostos. Assim, cuidem de seus juízos e afetos. A vaidade e o erro se insinuam lentamente, sob falsas pretensões: grandes apostasias geralmente começam com pequenos desvios. O príncipe das trevas, muitas vezes, se apresenta como anjo de luz, para levar os filhos da luz para as trevas. Como é fácil que o erro envolva nossos afetos e substitua o primeiro amor, abatendo-nos o temor e o cuidado. Por isso, tenham cuidado de si mesmos e dos que foram entregues ao seu cuidado. 

Além de um curso geral de vigilância em relação a objetivos, materiais e métodos, creio que os pastores deveriam tomar cuidado especial com seus corações, antes de se apresentarem à congregação. Se forem frios, como aquecerão os corações dos ouvintes? Busquem especificamente em Deus o suprimento para a vida; além da Bíblia, leiam um livro realmente estimulante, meditem em oração sobre o peso do assunto de que tratarão e sobre a grande necessidade das almas de seu povo, para que os senhores cheguem à casa de Deus envoltos no seu zelo.

Mantenham sua vida cheia da graça, de tal maneira que isso seja aparente no púlpito e que aqueça os corações dos que vieram frios para o culto.

Richard Baxter 

/Alef da Silva

Nenhum comentário:

Postar um comentário