segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Uma Carta do Diabo




O Antigo Testamento conta como Ezequias, rei de Judá, recebeu uma carta do diabo: “Tendo Ezequias recebido a carta da mão dos mensageiros, leu-a; então subiu à Casa do Senhor... dizendo: O Senhor Deus de Israel que estás entronizado acima dos querubins, tu somente és o Deus de todos os reinos da terra; tu fizeste os céus e a terra. Inclina, ó Senhor o teu ouvido, e ouve; abre, Senhor, os teus olhos, e vê; ouve todas as palavras de Senaqueribe, as quais ele enviou para afrontar o Deus vivo” (2 Rs 19.14-16).

A carta estava assinada por Senaqueribe, rei da Assíria. Porém, foi enviada diretamente do inferno! Senaqueribe significa “homem do pecado” (também: “o deus-lua tem aumentado os irmãos”), e representa Satanás, o deus deste mundo, determinado a criar uma vasta irmandade de abominadores de Deus.

Na época em que Ezequias recebeu a carta, Jerusalém estava sitiada pelo poderoso exército assírio. Senaqueribe já havia levado as dez tribos ao cativeiro. Israel estava sob julgamento divino por sua imoralidade e idolatria. O povo tinha “se vendido para fazer o mal”, e este foi o resultado: “Pois quando ele rasgou a Israel da casa de Davi... Assim andaram os filhos de Israel em todos os pecados que Jeroboão tinha cometido... até que o Senhor afastou a Israel da sua presença... assim foi Israel transportado da sua terra para a Assíria...” (2 Rs 17.21-23).

Israel representa aqui as igrejas apóstatas, saturadas de pecado. A nação israelita transbordava de concupiscên- cia, adultério e homessexualidade - puro prazer por loucuras. Hoje, ainda pratica uma forma de religiosidade sem poder: “O rei da Assíria trouxe gente de Babilônia... e a fez habitar nas cidades de Samaria... não temeram ao Senhor” (2 Rs 17.24,25).

Algo semelhante ao evangelho ecumênico existia entre eles - e seguiu-os ao cativeiro: “Assim estas nações temiam o Senhor e serviam as suas próprias imagens de escultura...” (2 Rs 17.41).

O diabo não precisa mais seduzir, discursar ou escrever cartas ameaçadoras para esse segmento da Igreja - ele já o controla! Colocou seus “anjos de luz” nos púlpitos, e entregou-lhes uma religião que combina tradição com perversidade.
O diabo concentra hoje seus ataques nas pessoas famintas por mais de Jesus. Transformaram-se no alvo de Satanás porque vivem em comunhão com o Senhor e representam uma ameaça ao reino das trevas. Judá representa essa Igreja remanescente.

As Escrituras apresentam Ezequias como homem piedoso: “Fez ele o que era reto perante o Senhor... Removeu os altos, quebrou as colunas e deitou abaixo o poste- ídolo... Confiou no Senhor Deus de Israel, de maneira que depois dele não houve seu semelhante entre todos os reis de Judá, nem entre os que foram antes dele. Porque se apegou ao Senhor, não deixou de segui-lo, e guardou os mandamentos ... Assim foi o Senhor com ele; para onde quer que saía lograva bom êxito” (2 Rs 18.3-7). Por este motivo, o Homem do Pecado estava prestes a destruí-lo. Pela a mesma razão, Satanás ataca os que vivem em comunhão com Jesus.

Não Pague mais Tributo ao Inimigo!

Até o recebimento da carta, Judá servia à Assíria, o t|ue era uma forma de escravidão. Senaqueribe - Homem ilo Pecado - tinha lugar em Sião, e havia imposto ao rei um tributo de trezentos talentos de prata e trinta de ouro: "Deu-lhe Ezequias toda a prata que se achou na casa do Senhor e nos tesouros da casa do rei. Foi quando Ezequias urrancou das portas do templo do Senhor, e das ombreiras o ouro que ele, rei de Judá, as cobrira...” (2 Rs 18.15,16).
Esse é o retrato da transgressão na Igreja de Deus: os cristãos, conciliados com o mundo, têm medo de caminhar audaciosamente e expor o pecado como ele é. Assim como Ezequias curvou-se aos desejos de Senaqueribe, a Igreja hoje paga tributos ao diabo, produzindo rock e entretenimento “cristãos”, e agindo com duplos valores morais.

O coração de Ezequias finalmente inflamou-se: “Não darei mais tributo ao inimigo!” Foi como um desperta- mento espiritual a compor um remanescente sagrado, que não temia o Homem do Pecado. Em outro período, numa outra crise, Israel tentara apoiar-se no homem, mandando buscar ajuda do Egito. Porém Faraó não lhes fora de nenhuma serventia. Agora, o povo de Judá se lançava totalmente ao Senhor.

Contudo, havia um conflito: Enquanto o povo pagava tributo ao diabo, havia tranqüilidade: nada de oposição ou guerras. Ezequias, ao decidir andar com fé, recusou a paz com o diabo - discipulado parcial, transgressão e mentiras - sem se importar com as conseqüências. Logo em seguida, recebeu a carta.

No momento em que desistimos do mundo e nos colocamos inteiramente nas mãos do Senhor, todo o inferno se volta contra nós. Tornamo-nos alvo do diabo, limitados ao cerco do Homem do Pecado. Seremos rigorosamente testados, até provarmos nossa total confiança em Deus. E o inimigo estará em toda parte, pronto para nos atacar.

Satanás Usa Planos Astutos Contra o Remanescente

Os assírios representam os pregadores da prosperida- ; de. O diabo desfila com seu exército ao redor dos muros: pessoas poderosas, bonitas e aparentemente bem sucedidas em tudo que empreendem. Vê-los é sentir-se cercado, prisioneiro: “Contudo o rei da Assíria enviou... Rabsaqué, com um grande exército, ao rei Ezequias, à Jerusalém” (2 Rs 18.17).

O primeiro ardil do Homem do Pecado é questionar a confiança do crente no Senhor. Rabsaqué era embaixador do rei, e seu nome significa “general”. Ele escarnecia: “Que confiança é essa em que te estribas? Em quem, pois, agora confias, para que te rebeles contra mim?” (2 Rs 18.19,20). Traduzindo: “Deus não os libertará dessa confusão! Vocês serão derrotados! Estão realmente em dificuldades e sua fé não irá funcionar!”

Você está em dificuldades? O diabo o acusa de ter pouca fé, insistindo que Deus não irá ajudar? Talvez você esteja desempregado, as contas se acumulando e a esperança chegando ao fim. E ouve o inimigo zombar: “Apesar de seu amor por Jesus, da renúncia e confiança em Deus, você está destinado ao fracasso! Acabará falido, caçado por credores - até o suicídio!”

A mesma conversa, desde o Antigo Testamento: "Como, pois, se não podes afugentar um só capitão dos menores do servos do meu senhor?” (Is 36.9). Em outras palavras: “Que pode você fazer, se nem consegue emprego? Se não sabe o que o aguarda daqui a um mês, como pode acreditar no futuro? Como sobreviverá, se um exército de novos problemas se aproxima? Você realmente acredita que Deus irá salvá-lo dessa grande confusão? Desista! Olhe, tenho uma proposta...”

A velha fórmula, Satanás acrescenta a acusação de ser Deus o responsável pelos nossos problemas. O mensageiro da Assíria bradava: “Pois o Senhor mesmo me disse: Sobe contra a terra, e destrói-a” (2 Rs 18.25). O diabo (entará convencê-lo de que Deus está furioso e quer li- vrar-se de você. E sua mentira mais astuciosa: fazê-lo crer que Deus o abandonou, para conduzi-lo de volta aos problemas e tristezas. Pretende o inimigo que acreditemos serem nossas dificuldades resultado de punição divina, por antigos pecados. Não acredite! E Satanás tentando destruí-lo.

Nosso Senhor é libertador; e Ele virá para “pôr sobre os que em Sião estão de luto uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria em vez de pranto, veste de louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem carvalhos de justiça, plantados pelo Senhor para a sua glória” (Is 61.3).

Querido irmão, você não será derrotado! Está simplesmente sob as rajadas de mentiras do inimigo, porque depositou sua confiança no Senhor. Satanás está tentando destruir sua fé.
Outra estratégia do diabo é chamar sua atenção para as vitórias que obtém sobre outros cristãos: “Acaso os deuses... puderam livrar... das mãos do rei da Assíria? Onde estão os deuses de Hamate e de Arpade?... Acaso livraram eles a Samaria da minha mão?” (2 Rs 18.33,34)
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Satanás vangloria-se: “Sou mais poderoso que seu Deus. Derrubei alguns de seus maiores evangelistas, seduzindo-os com pecados grosseiros. Fiz com que se tornassem mentirosos e gananciosos. Então, como escapar do meu poder?” A mesma voz se ouviu em Judá: “Quais são, dentre todos os deuses destes países, os que livraram a sua terra das minhas mãos, para que o Senhor possa livrar a Jerusalém das minhas mãos?” (Verso 35).

O inimigo de nossas almas procura trazer à nossa memória cristãos que proclamaram confiar em Deus e enfrentaram problemas, doença e mesmo a morte. Como a anciã, viúva e confiante, mas sofrida e subjugada à miséria por seus escassos proventos. Ele dirá: “Confiou em Deus, e olhe o que isso lhe trouxe! Supunha-se perto do Senhor aqueles tele-evangelistas, e veja como acabaram! Se os pregadores são derrotados, qual sua esperança? Atentaria Deus para você, enquanto gigantes espirituais estão caindo?”

Conheço um pregador pentecostal derrotado por essa mentira do inimigo. Seu pai, um pastor de 75 anos, estava doente, e não tinha recursos para o tratamento. O diabo, aproveitando o momento, sussurrou-lhe: “Veja como Deus recompensa seus pastores fiéis - uma vida religiosa terminando em profunda pobreza! Você acabará como ele!” Revoltado, o jovem ministro prometeu a si mesmo que jamais seria pobre, e um espírito demoníaco apossou-se dele. 

Determinado a garantir seu futuro, passou a negociar com automóveis. Envolveu-se em transações obscuras, admitindo estar orientado por espíritos maus. Eles o instigavam continuamente: “Você não precisa ser pobre!” Esse homem ainda faz parte do ministério, mas seu estado é deplorável. Perde rios de dinheiro, porque seus negócios acumulam fracassos. Seu pai provavelmente morrerá pobre, porém, feliz no Senhor. Ele, ao que parece, deixará o mundo cheio de amargura e incredulidade.

Satanás Tentará Oferecer-lhe um Negócio

Satanás costuma pintar um quadro de supostas vantagens, reservadas aos que passarem para o seu lado: “Não deis ouvidos a Ezequias; porque assim diz o rei da Assíria: Fazei as pazes comigo, e vinde para mim; e comei, cada u m da sua própria vide e da sua própria figueira, e bebei, cada um da água da sua própria cisterna. Até que eu venha, e vos leve para uma terra como a vossa, terra de cereal e de vinho, terra de pão e de vinhas, terra de oliveiras e de mel, para que vivais e não morrais. Não deis ouvidos a Ezequias porque vos engana, dizendo: O Senhor nos livrará” (2 Rs 18.31,32).

O diabo sussurra: “Você não precisa ser um joão- ninguém ou sofrer injustamente. Saia de seus caminhos estreitos, e farei você prosperar. Dar-lhe-ei todo o dinheiro que precisar. Não haverá mais dívidas, nem preocupação com despesas. Os bancos abrirão as portas para você!”
Que vendedor perverso é o diabo! Ele diz: “Apenas um pequeno negócio, e todos os seus problemas serão resolvidos. Você merece um descanso, pois já sofreu muito. E sua chance de vencer!” Não se deixe enganar. Assumir um compromisso desses é o mesmo que seguir Satanás. Quem faz este tipo de barganha, interrompendo o relacionamento com Jesus, acaba vendendo sua alma no processo.

Satanás promete: “Até que eu venha e vos leve para uma terra como a vossa...” (Verso 32); ou seja: “Você pode trazer seu Deus, quando você vier comigo. Bastarão algumas mudanças - mas você continuará o mesmo!”

Se você acreditar nessa mentira, passará a ser escravo do diabo. Não existe a terra de vinho e óleo. Ele o acorrentará, e o levará à Babilônia. Você jamais alcançará aquelas promessas. Restar-lhe-ão açoites, desespero e um capataz como pai. A água pura prometida está envenenada. Você deixará a liberdade para servir aos caprichos de Satanás.

Entretanto, se não aceitar sua proposta, Satanás, como 1 último recurso, lhe enviará uma carta ameaçadora: “Ten- | do Ezequias recebido a carta da mão dos mensageiros, leu-a; então subiu à casa do Senhor, estendeu-a perante o Senhor” (2 Rs 19.14).

O mensageiro era enviado do diabo; a carta, uma cen- ‘ sura ao Deus Vivo, escrita com o propósito de provocar medo ao seu povo. Era a materialização do escárnio de 1 Satanás: “Vou derrubá-los, humilhá-los e destruir o que possuem!”

Os papéis do divórcio podem ser uma carta de Satanás: “Leia, seu fracassado! De que lhe adiantou servir a Deus e negar-se a si mesmo? Não salvou seu casamento, e é tudo sua culpa. Isto poderia ter sido evitado. Desista de tudo!”

Aqueles lábios rosados, no trabalho, podem transmitir uma mensagem do diabo: “É isto o que recebe, por seguir Jesus - um pontapé? Ninguém o quer. Você é velho e decadente. Está derrotado e perderá tudo. Não terá sequer dinheiro para o aluguel. Você está acabado!”

E o raio-X, acusando uma doença terminal? AIDS! Câncer! Lepra! Não há esperança. E Satanás, questionando sua fé: “Você crê que Jesus cura? Então, onde está Ele? Por que sofrer ainda? Você lhe dá tudo, e Ele retribui dessa forma?”

Um amigo meu, empresário, recebeu uma carta do diabo. Era o relatório do contador, mostrando o desvio de centenas de milhares de dólares que fizera um funcionário de confiança da companhia. Esta era a mensagem: “Não adianta ser justo. Essa é a retribuição do Senhor: você ora, contribui, anda no caminho da retidão - e acaba sendo fraudado. Que negócio! Por que não desiste?”

Quando nos defrontarmos com uma carta do diabo, devemos primeiro estendê-la diante do Senhor, como fez o rei de Judá: estendeu-a perante o Senhor... e orou
perante o Senhor...” (2 Rs 19.15).

Busque somente ao Senhor. Jamais converse ou debata com Satanás. Fique calado, como aquelas pessoas diante do mensageiro escarnecedor: “Calou-se, porém, o povo, e não lhe respondeu palavra; porque assim lhe havia ordenado o rei: Não lhe respondereis” (2 Rs 18.36).
A resposta divina não tardou: “... e esta é a palavra que o Senhor falou a respeito dele: A virgem, filha de Sião, te despreza, e zomba de ti; a filha de Jerusalém meneia a cabeça por detrás de ti” (2 Rs 19.21). Deus considerou a carta como enviada a Ele., não a seu filho: “A quem al rontaste e de quem blasfemaste? E contra quem alçaste a voz e arrogantemente ergueste os olhos? Contra o santo de Israel” (verso 22).

Os crentes são a menina dos olhos de Deus. Ele guarda os seus amados, e o diabo não pode tocá-los: “Pelo que assim diz o Senhor... Não entrará nesta cidade, nem lançará nela flecha alguma, não virá perante ela com escudo, nem há de levantar trincheiras contra ela. Porque eu defenderei esta cidade, para a livrar, por amor de mim e por amor de meu servo Davi” (versos 32 e 34).

E Deus mostrou a Ezequias que o Anjo do Senhor, sozinho, pode destruir um exército inteiro: “Então naquela mesma noite saiu o anjo do Senhor, e feriu no arraial dos assírios a cento e oitenta e cinco mil; e quando se levantaram os restantes pela manhã, eis que todos estes eram cadáveres” (verso 35).

Lembre-se também: “O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra” (SI 34.7).

Não importa quantos demônios ataquem, ou quão ferozmente o reino das trevas ameace. O povo de Deus está a salvo. Deixe a mensagem penetrar profundamente no seu coração: Você está salvo! O Senhor está pronto para defendê-lo e livrá-lo!

O Senhor Envia uma Carta para o Diabo

O Senhor escreve sua própria carta ao diabo no Salmo 46, tão poderosa que, lida em voz alta, faz os demônios estremecerem e encolherem-se de medo! E a resposta aos ataques do inferno:

Homem do Pecado, 

“Deus é o nosso socorro bem presente nas tribu- lações” (verso 1). Nosso Deus está presente agora. Ele socorre seu povo ainda hoje - em qualquer situação.

“Portanto não temeremos” (verso 2). Não precisamos temer. Nosso Deus é fogo consumidor e escudo para seus filhos: “Porque Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação” (2 Tm 1.7). Ele é fiel à sua Palavra.

“Deus está no meio” do templo. Não podemos ser abalados (verso 5). Nosso corpo é o templo do Espírito Santo. Cristo faz morada em nosso coração. “Bramam nações, reinos se abalam” (verso 6). Deixe os reinos da terra estremecerem. Nosso Deus destruirá completamente os agressores demoníacos.

“Ele põe termo à guerra... quebra o arco e despedaça a lança; queima os carros no fogo” (verso 9). Deus é nosso exército, para nos defender dos que guerreiam contra nós. Ele aniquilará as armas do diabo: “Toda arma forjada contra ti, não prosperará” (Is 54.17).

“Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus” (verso 10). Devemos tranqüilizar-nos e confiar que Ele é Deus. Ele é nosso Redentor e Defensor, Senhor de nossas vidas. Estamos salvos, cercados pela sua presença, no pavilhão de seu amor. Permanecendo firmes, veremos sua glória e majestade.

Prezado irmão, Deus preparou esta carta para defender sua fé. Leia-a, medite e creia nela. E a resposta do céu para a carta que você recebeu do diabo.

David Wilkerson

/Alef da Silva 

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