sexta-feira, 22 de agosto de 2014

O Terrível Estado dos Não Convertidos




“O horror de sua depravação evidencia-se pelo fato de serem tão insensivelmente cegos e ignorantes. Deus deu ao homem a faculdade da razão e do entendimento, que é uma nobre faculdade. Por ela, ele se diferencia de todas as outras criaturas inferiores. É exaltado em sua natureza acima delas, e é, neste aspecto, semelhante aos anjos, capacitado a conhecer a Deus, e conhecer as coisas eternas e espirituais.

Deus lhe deu entendimento para este fim, para que O pudesse conhecer, e conhecer as coisas celestiais, e o fez capaz de compreendê-las como quaisquer outras. Mas o homem degradou a si mesmo, e perdeu sua glória neste respeito. Tornou-se ignorante da excelência de Deus à maneira das próprias feras. Seu entendimento está cheio de obscuridade; sua mente está cega; está completamente cego para as coisas espirituais. Os homens são ignorantes de Deus, e ignorantes de Cristo, ignorantes do caminho da salvação, ignorantes de sua própria felicidade, cegos em meio a mais brilhante e clara luz, ignorantes sob todas as formas de instrução. Rm 3:17: “Desconheceram o caminho da paz”. Is 27:11: “Não é povo de entendimento”. Jr:4:22: “O meu povo está louco, já não me conhece; são filhos néscios e não inteligentes”. Sl 95:10, 11: “É povo de coração transviado, não conhece os meus caminhos. Por isso, jurei na minha ira: não entrarão no meu descanso”:1 Co 15:34: ‘Alguns ainda não têm conhecimento de Deus; isto digo para vergonha vossa’.”

“Há um espírito de ateísmo prevalecendo nos corações dos homens; uma estranha disposição para duvidar da própria existência de Deus, e do outro mundo, e de qualquer coisa que não possa ser vista com os olhos físicos. Sl 14.1: “Diz o insensato no seu coração, não há Deus”. Não percebem que Deus os vê, quando pecam, e os chamará a prestar contas por isso. E, portanto, se podem esconder os pecados dos olhos dos homens, não se preocupam, e são ousados em cometê-los. Sl 94:7-9: “E dizem: O SENHOR não o verá; nem para isso atentará o Deus de Jacó. Atendei, ó brutais dentre o povo; e vós, loucos, quando sereis sábios? Aquele que fez o ouvido, não ouvirá? E o que formou o olho, não verá? [ARC]” Sl 73:11: “E diz: Como sabe Deus? Acaso, há conhecimento no Altíssimo?” São tão insensivelmente incrédulos das coisas futuras, do céu e do inferno, que comumente preferem correr o risco da condenação a ser convencidos. São estupidamente insensíveis da importância das coisas eternas. Como é difícil levá-los à fé, e dar-lhes real convicção de que ser feliz por toda a eternidade é melhor que todos os outros bens; e ser miserável por toda eternidade, debaixo da ira de Deus, é pior que todo mal.”

“Os não-convertidos não têm princípio mais elevado em seus corações do que o amor-próprio. E nisso não excedem os demônios. Estes amam a si mesmos, e sua própria felicidade, e temem sua própria miséria.”

“Conquanto, às vezes, possam parecer fazer coisas por respeito a Deus, e vistam o rosto como se O honrassem, e altamente O estimassem, tudo não passa de hipocrisia. Mesmo que haja um exterior limpo, são como sepulcros caiados; por dentro não há nada senão putrefação e podridão. Não têm amor por Cristo, o glorioso Filho de Deus, que é tão digno de seu amor, e que mostrougraça tão maravilhosa pelos pecadores ao morrer por eles. Jamais fizeram qualquer coisa por respeito verdadeiro ao Redentor do mundo, desde que nasceram.”

“E quando pareceram, externamente, concordar com os mandamentos de Deus, em seus corações não o fizeram. Jamais obedeceram movidos por um espírito de sujeição a Deus, ou por qualquer disposição em obedecê-lo, mas meramente foram levados a isso pelo medo, ou de alguma forma influenciados por seus interesses mundanos.”

“Eles jamais agradeceram de coração a Deus por uma simples misericórdia recebida em toda sua vida, embora Ele os tenha sustentado, e tenham vivido debaixo de Sua liberalidade. Jamais agradeceram genuinamente a Cristo por ter vindo ao mundo, e morrido para lhes dar a oportunidade de serem salvos. Jamais lhe mostrariam alguma gratidão a ponto de recebê-lo, quando bateu em suas portas; mas sempre lhe fecharam, embora tenha batido sem nenhum outro propósito senão o de oferecer-Se para ser seu Salvador. Jamais tiveram qualquer desejo verdadeiro por Deus ou Cristo em toda a sua vida. Quando Deus se ofereceu para ser sua porção, e Cristo, para ser o amigo de suas almas, não os desejaram. Jamais quiseram ter Deus e Cristo como sua porção. Prefeririam, ao contrário, estar sem eles, se pudessem evitar o inferno sem Sua companhia.”

“O pecado possui uma natureza terrível, e isso se dá porque é cometido contra um Deus infinitamente grande e santo. Há na natureza do homem inimizade, desprezo e rebelião contra Deus. O pecado se levanta como um inimigo do Altíssimo.”

“Há um mal infinito no pecado. Se víssemos a centésima parte do mal que há no pecado, isso nos tornaria sensíveis que aqueles que têm qualquer pecado, ainda que seja mínimo, estão em uma condição terrível.”

“Os corações dos não-convertidos estão completamente cheios de pecado. Se tivessem apenas um pecado neles, seria suficiente para tornar suas condições muito terríveis. Mas têm não apenas um pecado, mas todo tipo de pecado. Há todo tipo de desejo carnal. O coração é um mero poço de pecado, uma fonte de corrupção, de onde emerge todo tipo de regatos imundos. Mc 7:21, 22: ‘Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura’.”

“Não há um desejo maligno no coração do diabo, que não esteja no coração do homem. Os homens naturais são à imagem do diabo. A imagem de Deus é demolida, e a imagem do diabo é estampada nele.”

“Os corações dos não convertidos são meras sarjetas de sensualidade. O homem se tornou como as feras ao colocar sua felicidade nas diversões sensuais. O coração está cheio das paixões mais repugnantes. Suas almas são mais vis e abomináveis que a de qualquer réptil. Se Deus abrisse uma janela no coração, de forma que pudéssemos contemplar o seu interior, seria o espetáculo mais repugnante que já se viu sob nossos olhos.”
“A grande impiedade dos homens naturais aparece abundantemente nos pecados que cometem, não obstante todas estas restrições. Todo homem natural, se refletir, pode ver o suficiente para mostrar-lhe como é excessivamente pecador. O pecado flui do coração com tanta constância como a água flui de uma fonte. Jer 6:7: “Como o poço conserva frescas as suas águas, assim ela, a sua malícia”. E esta impiedade, que abunda desta maneira nos corações, tem domínio sobre eles. São escravos dela: Rom 7:14: “eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado”. Estão de tal maneira debaixo do pecado, que são conduzidos por suas luxúrias em um curso contra suas próprias consciências, e contra seu próprio interesse. Apressam-se em direção à própria ruína, e isso ao mesmo tempo em que suas próprias razões lhes advertem que isto provavelmente será sua perdição.”

“Eles estão sem Deus no mundo. Não têm interesse ou parte com Deus: Ele não é o Deus deles. Ele próprio declarou que não o seria (Os 1:9). Deus e os crentes têm uma relação pactual mútua e direito um ao outro. Eles são seu povo, e Ele é o Deus deles. Mas não é o Deus pactual daqueles que estão em um estado natural.”

“Que os não-convertidos estão sem Deus mostra que estão sujeitos a todo tipo de mal. Estão sujeito ao poder do diabo, ao poder de todo tipo de tentação, pois não têm Deus para protegê-los. Estão sujeitos a ser seduzidos e enganados pelas opiniões errôneas, e a abraçarem doutrinas condenadas. Não é possível enganar os santos desta maneira. Mas os não-convertidos podem ser enganados. Podem tornar-se papistas, ou pagãos ou ateus. Nada que tenham pode livrá-los disso. Estão sujeitos a ser entregues à dureza judicial de Deus no coração. Eles a merecem, e, uma vez que Deus não é o seu Deus, não têm certeza se não lhes aplicará esse terrível julgamento.”

“Um homem natural não tem segurança alguma. Não está seguro de bem nenhum, nem de escapar de qualquer mal. É, portanto, terrível a condição na qual se encontra o não-convertido. Os que estão no seu estado natural estão perdidos. Desviaram-se de Deus, e são como ovelhas perdidas, que se desviaram do seu pastor. São pobres criaturas desamparadas, em um deserto cheio de uivos, sem pastor para protegê-las ou guiá-las. Estão desolados, e expostos a inúmeros enganos fatais.”

“Estão não apenas sem Deus, mas a Sua ira permanece sobre eles, João 3.36: “O que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus”. Não há paz entre Deus e eles, mas Deus está irado com eles, diariamente. Não está apenas irado, mas o está num grau terrível. Há um fogo aceso na ira de Deus: ela está em chamas. A ira permanece sobre eles, que, se fosse ela executada, os lançaria no mais profundo inferno, e os tornaria miseráveis por toda eternidade.”

“Provocaram a Deus mais do que muitos no inferno, e com maior frequência. Aonde quer que vão, convivem com a terrível ira de Deus sobre si. Comem, bebem e dormem debaixo de Sua ira. Como é terrível, portanto, a condição em que estão! É muito triste para a criatura ter a ira do seu Criador sobre si. Essa ira de Deus é algo infinitamente terrível. A ira de um rei é como o rugido de um leão; mas o que é a ira de um rei, que não é senão um verme do pó, comparada à ira do Deus infinitamente grande e terrível? Como é horrível estar debaixo da ira do Ser Primeiro, o Ser dos seres, o grande Criador e poderoso dono dos céus e da terra!”

“Os não convertidos, além de estarem debaixo de ira, estão debaixo de maldição. A ira e a maldição de Deus estão continuamente sobre eles. Não podem ter um conforto razoável, portanto, em qualquer de suas diversões, pois nada sabem, senão que elas lhes são dadas em ira, e serão amaldiçoados por elas, e não abençoados. Como é dito em Jó 18.15: “Espalhar-se-á enxofre sobre a sua habitação”. Como podem, então, ter algum conforto em suas refeições, ou posses, quando nada sabem senão que isso lhes é dado para prepará-los para a execução?”

“Os que estão em um estado natural são filhos do diabo. Assim como os santos são filhos de Deus, os ímpios são filhos do diabo: 1 Jo 3:10: “Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo” Mt 13:38, 39: “o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do reino; o joio são os filhos do maligno; o inimigo que o semeou é o diabo”. Jo 8:44: “Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos”. São, por assim dizer, descendência do diabo; procedem dele: 1 Jo 3:8: “Aquele que pratica o pecado procede do diabo”. Assim como Adão gerou um filho à sua semelhança, os ímpios são à imagem e semelhança do diabo. Eles reconhecem esta relação, e se consideram filhos do diabo, consentindo que ele seja seu pai. Sujeitam-se a ele, ouvem os seus conselhos, como os filhos ouvem os conselhos de um pai. Ele os ensina a imitá-lo, e a fazer como ele faz, assim como as crianças aprendem a imitar seus pais. Jo 8:38: “Eu falo das coisas que vi junto de meu Pai; vós, porém, fazeis o que vistes em vosso pai”. Como é terrível este estado! Como é horrível ser um filho do diabo, o espírito das trevas, o príncipe do inferno, esse ímpio, maligno e cruel espírito! Ter alguma relação com ele é mui terrível. Seria considerado algo medonho e assustador o mero encontro com o diabo, aparecendo ele em uma forma visível para alguém. Como é terrível, então, ser seu filho; como é assustador para qualquer pessoa ter o diabo por seu pai!”

“O diabo é, de todos os senhores, o mais cruel, e trata os seus servos da pior maneira. Coloca-os na realização dos mais vis serviços, os mais desonrosos no mundo. Nada é mais desonroso que a prática do pecado. O diabo põe seus servos para realizar obras que os degrada abaixo da dignidade da natureza humana. Devem tornar-se semelhantes às feras para fazer esse serviço e servir às suas concupiscências imundas. E, além da vileza do trabalho, é um trabalho árduo. O diabo os escraviza às custas de sua própria paz de consciência, e, com frequência, às custas de suas reputações, de suas posses, e encurtando seus dias. O diabo é um senhor cruel, pois o serviço a que submete seus escravos os destrói. Ele os põe em trabalhos forçados, dia e noite, para trabalharem em suas próprias ruínas. Jamais pretende lhes recompensar por suas lidas, mas estas servem para edificar sua destruição eterna. Serve para acumular combustível e chamas de fogo para eles mesmos serem atormentados por toda a eternidade.”

“A alma de um não-convertido é a habitação do diabo. Ele é não apenas pai deles, e seu chefe, mas habita neles. É terrível para um homem ter o diabo nas cercanias, visitando-o com frequência. Mas é ainda mais terrível tê-lo habitando com um homem, e aceitar sua habitação; e é ainda terrível tê-lo consigo, habitando no coração. Mas é isto que ocorre com o não-convertido. Ele tem o diabo habitando no seu coração. Assim como a alma de um justo é a habitação do Espírito de Deus, a alma de um ímpio é a habitação de espíritos imundos. Assim como a alma de um justo é o templo de Deus, a alma do ímpio é a sinagoga de Satanás. Ela é chamada na Escritura de casa de Satanás, e palácio de Satanás, Mt 12:27: “Ou como pode alguém entrar na casa do valente”, querendo dizer, o diabo. E Lc 11:21: “Quando o valente, bem armado, guarda a sua própria casa, ficam em segurança todos os seus bens”. Satanás não apenas vive, mas reina, no coração do ímpio. Não apenas fez sua morada lá, mas estabeleceu seu trono.”

Jonathan Edwards

/Alef da Silva 

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