terça-feira, 8 de abril de 2014

Epistola aos Romanos




INTRODUÇÃO

Esta Epístola é a explicação mais completa que Paulo dá do seu modo de compreender a natureza do Evangelho, tendo sido ele escolhido por Deus para ser o principal expositor desse Evangelho. Coleridge diz que é “A Obra mais profunda que existe” A epístola aos Romanos é uma epístola difícil de entender, por duas razões: A primeira razão é o estilo literário de Paulo. Tinha o hábito de começar um sentença e depois fazia uma digressão, mais outra e ainda outra, de modo que, em alguns casos , as frases em vez de modificarem as que as precedem imediatamente, modificam alguma coisa remota, tornando difícil vera conexão. A outra razão é que a Epístola gira em torno de um problema, que para nós não constitui problema, mas que, em sua época, foi problema aceso, causticante, a saber: Se um gentio podia ser cristão sem se tornar um prosélito dos judeus. Comumente, pensamos que o Cristianismo é religião de gentios, visto que muito poucos judeus são cristãos. Mas quando o cristianismo começou, era uma religião judaica, e certos líderes judeus poderosos estavam decididos em fazê-lo continuar assim.

DATA E OCASIÃO DA EPÍSTOLA

Nos anos 57 e 58d.C. Paulo estava em Corinto, encerrada sua terceira viagem missionária, às vésperas de partir para Jerusalém, levando a oferta para os crentes pobres,Rm15.22-27. Uma senhora chamada Febe, de Cencréia, subúrbio de Corinto, estava de saída para Roma, Rm16.1,2. Paulo aproveitou a oportunidade para enviar por ela esta carta.

Não havia serviço postal no Império Romano, exceto para a correspondência oficial. O serviço de correios, como conhecemos hoje, é de origem recente. Naquela época a correspondência particular tinha de ser conduzida por amigos ou outros viajantes que por acaso houvesse.

OBJETIVO DA CARTA

Tudo indica que os romanos tinham ouvido boatos falsos a respeito da mensagem e da teologia de Paulo, Rm3.8;6.1,2,15. Fazer saber aos irmãos de Roma que ele estava de partida para lá. Aliás, foi antes de Deus dizer a Paulo que o queria em Roma, At23.11, de modo que ele ainda não estava certo se escaparia vivo de Jerusalém, Rm15.31. Neste caso, parecia conveniente que ele , apóstolo aos gentios, tivesse arquivada na Capital do mundo gentílico uma explicação escrita de seu modo de compreender a natureza da Obra de Cristo

DESTINATÁRIOS

“Todos que estais em Roma, amados de Deus ”. Paulo ainda não tinha ido lá. Chegou em Roma três anos depois de escrita esta Epístola. O núcleo dessa igreja formara-se, provavelmente, dos romanos que estiveram em Jerusalém no Dia de Pentecostes ,At2.10. No período interino de 28 anos, muitos cristãos, de várias partes do Oriente, por qualquer motivo migraram para a metrópole, alguns deles convertidos de Paulo e seus amigos íntimos, analise o capítulo16. Contudo, não sabemos com certeza como e quando o Cristianismo chegou a Roma. Em Atos 18.2 fala-se acerca de Áquila e Priscila que pertenciam àqueles judeus que Cláudio expulsara de Roma, cerca de 49d.C. No final do quarto decênio já havia cristãos em Roma. Agostinho informa que o Cristianismo chegou a Roma durante o governo do Imperador Calígula, entre 37 e 41d.C. O martírio de Paulo, e provavelmente o de Pedro, ocorreu em Roma, uns 8 anos depois de ser escrita esta Epístola.

SITUAÇÃO PARA A QUAL A EPÍSTOLA FOI ESCRITA

Era a crença comum judaica de que a Lei de Moisés era expressão da vontade de Deus e de obrigação universal, bem como a insistência judaica de que o gentio que quisesse ser cristão deveria circuncidar-se e guardar a Lei. De modo que a questão de se alguém pudesse tornar-se cristãos em ser primeiro um prosélito judeu jazia no fundo do espírito de cada um. A circuncisão era o rito físico que vigorava como cerimônia inicial da naturalização judaica.

A PRINCIPAL INSISTÊNCIA DE PAULO

A justificação do homem repousa , fundamentalmente, não na Lei de Moisés, mas na misericórdia de Cristo. Não é , absolutamente, uma coisa afeta à Lei, porque o homem, por causa de sua natureza pecaminosa, não pode, inteiramente, corresponder às exigências da Lei, a qual é expressão da santidade divina. Mas provém, totalmente, de Cristo, levado pela bondade do seu coração, perdoar os pecados do homem. Em última análise, a posição do homem diante de Deus depende, não tanto do que ele tenha feito ou possa fazer por si mesmo, mas do que Cristo fez por ele. Por conseguinte, Cristo tem direito à absoluta e cordial sujeição, lealdade, obediência e devotamento de cada ser humano.


VISÃO PANORÂMICA

Seu Tema e essência: A justiça de Deus, Rm 1.16,17.
- A Justificação, um ato da graça divina, Rm 5.1
- O crente morre com Cristo para o pecado, Rm 6
- É liberto da luta com a justiça da Lei, Rm 7.
- É adotado comofilho de Deus, Rm 8.18-30

- A transformação afeta a vida social, civil e moral do indivíduo, Rm12-14.
- Romanos é a mais sistemática epístolade Paulo; a epístola teológica por excelência do Novo Testamento.
- Romanos contém o estudo mais profundo da Bíblia sobre a rejeição de Cristo pelos judeus, com exceção de um remanescente, bem como sobre o plano divino-redentor para todos, alcançando por fim Israel, Rm9-11.
- Por fim a epístola inteira gira em torno da história do plano de redenção de Deus em Cristo. De maneira que Ele é o seu principal personagem.
 

Fonte: Epistolas Paulinas e Gereais


 /Alef da Silva

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